Durante este ano, alguns dos nossos convidados fizeram questão de nomear as más actuações dos sucessivos governos portugueses, como um dos principais factores da falta de interesse dos jovens na política em Portugal, apontando o dedo aos partidos: PS, PSD e CDS-PP que, nos ultimos trinta anos da nossa história, constituíram governos democraticamente eleitos pelo povo.
Na minha visão de jovem, e de interessado pela política tanto a nível nacional, como a nível internacional, apercebo-me que tanto no meu país, como nas nações mais desenvolvidas do mundo (por exemplo: Alemanha, E.UA, ou França), o desinteresse dos jovens é sempre um dado adquirido, digo isto obviamente sem conhecer a fundo a realidade dos outros países, mas com a convicção de que isso se traduz por uma percentagem de abstenção em eleições que, ano após ano, vai aumentando drasticamente, com os jovens muitas vezes no topo da lista de "culpados" desta situação.
As razões desta atitude por parte das pessoas da minha geração prendem-se, muitas vezes, pela falta de informação e pelo desconhecimento sobre o que a política pode fazer por nós, ou aquilo que podemos nós fazer por ela, o que me leva a crer que não serão as actuações dos sucessivos governos da república que causaram ou continuam a causar este desinteresse. Ora, foi a partir deste ponto que o nosso grupo resolveu investir e fazer perceber a muitos dos nossos colegas o que é afinal a política.
Qualquer jovem português nasceu sob uma crise económica/financeira, viveu com ela, assiste hoje a uma crise ainda maior e, ao que tudo indica, continuará a viver por muitos mais anos. Mas tudo isto não impede uma minoria de jovens da nossa sociedade de filiar-se em partidos, promover debates e adoptar ideais políticos, o mesmo é dizer interessar-se pela política.
O estado, desde o 25 de Abril, tem tomado diversas iniciativas de apoio aos jovens, tanto na educação (onde hoje em dia podemos assistir a uma investida tecnológica sem precedentes na nossa história) como na procura do primeiro emprego. Já os partidos aceitam qualquer militante, e cada vez mais são eleitos deputados mais jovens para o parlamento da Assembleia da República (um bom exemplo desta linha de orientação política é o CDS-PP). Não são, portanto, em minha opinião, as actuações políticas do estado português, uma razão para a falta de interesse dos jovens portugueses.
A meu ver, os responsáveis pela falta de informação dirigida aos mais novos, são os pais e a imprensa em Portugal, que originam também um problema ideológico em relação ao mais novos. Cada jovem, em Portugal, pode optar por mais de dez partidos políticos com orientações políticas que vão desde a extrema esquerda, até à direita mais radical. Mas o problema existente é o seguinte: Quantos jovens em Portugal sabem o que a extrema esquerda defende? ou quantos jovens sabem distinguir os partidos mais conservadores dos mais liberais? Definitivamente uma minoria.
Perante toda esta situação, seria expectável, eu sugerir uma solução para este problema, e assim o farei. Pois bem, a solução que apresento, passa pela escola, onde somente os alunos que frequentam o curso de humanidades conseguem atraves da disciplina de História ter uma pequena noção do que é a política, e de como tudo funciona. Uma excelente forma de arranjar mais interessados sobre a política, seria constituir uma disciplina que pudesse existir em todos os cursos do ensino secundário e que ensina-se não só o funcionamento da política, bem como explica-se os temas mais polémicos e incompreendidos da actualidade não só portuguesa, mas também internacional.
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