sexta-feira, 28 de maio de 2010
Reportagem sobre o projecto "Política Somos Nós" pelo jornal Público
Políticos foram à escola e não foi uma seca
Dizem que a escola e os pais são parte do problema e que o facto de não lhes ensinarem nada sobre política contribui para que eles voltem costas. Mas as coisas não têm que ser assim.Da esquerda para a direita: João Louro, Gonçalo Poejo e Miguel Nunes
Não foi uma, mas quatro vezes que os alunos da antiga escola secundária de Linda-a-Velha, agora rebaptizada com o nome de Professor José Augusto Lucas, mostraram este ano que, afinal, a política é algo que pode mexer com eles.
Por iniciativa de três alunos do 12.º ano, Santana Lopes, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Paulo Portas foram à escola falar sobre as razões do desinteresse dos jovens pela política, o tema que João Louro, Gonçalo Poejo e Miguel Nunes, de 18 anos, se propuseram desenvolver no âmbito da cadeira de Área de Projecto. Das quatro vezes, mesmo quando as sessões decorreram à tarde, período em que a escola habitualmente se encontra meio deserta, o anfiteatro de 100 lugares transbordou para os corredores. E as perguntas não faltaram.
Anabela Baptista, a professora que acompanha este projecto, diz que é raro tal acontecer. "Fiquei muito admirada com a mobilização para estas acções, mas isto o que mostra é que eles não são tão desinteressados como se diz", admite, durante uma visita que o PÚBLICO fez à escola, a convite dos mentores do projecto.
O que se passou acabou por provar o que eles também já suspeitavam: que a escola é parte do problema. "Só na disciplina de História é que se dão algumas noções, e muito pouco, do que é a política e de como funcionam as instituições. E esta disciplina é só para os alunos de Humanidades", constata João Louro.
Miguel Nunes considera que se passa com muitos jovens o que também acontecia com ele: não se interessam porque, em primeiro lugar, desconhecem quase tudo sobre a política e os partidos, a começar pelas diferenças que existem entre eles. A escola não os informa e, na maior parte dos casos, os pais também não, frisa.
Uma ajuda inesperada
É uma realidade que lhes passa ao lado, como aliás também sucede a grande parte do mundo adulto. Suze, que é da turma deles, confirma: "Os jovens não entendem nada sobre política". Mas, apesar de peremptória nesta constatação, não deixa de estranhar que assim seja: "Nós somos o futuro do país e o que está a acontecer vai-nos afectar. Diz-nos respeito".
A turma está a ter Português. Andam às voltas com José Saramago. A aula é interrompida, já perto do fim, para que outros falem ao PÚBLICO sobre política e sobre os políticos que este ano passaram pela escola. "São figuras públicas e tínhamos delas uma ideia de serem um bocado inatingíveis. Mas afinal estiveram connosco, na nossa escola. Não estávamos à espera que isso acontecesse", diz Catarina.
Também por iniciativa dos três organizadores, a turma teve direito a lanche particular com os dirigentes partidários que responderam ao convite. Aconteceu depois dos debates no auditório e muitos deles aproveitaram para pedir conselhos sobre o que fazer depois. O secundário, para eles, está a acabar e o tempo agora é de escolhas: seleccionar os cursos para os quais se tem média, optar entre faculdades. Dizem que Santana Lopes, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Paulo Portas não se furtaram a responder às suas dúvidas e a dar-lhes indicações sobre este seu futuro próximo.
No princípio do ano lectivo, um inquérito que realizaram na escola deu conta de que, numa escala de 1 a 10, a média de interesse pela política entre os alunos ficava-se pelos 3,7. Agora vão fazer um novo inquérito para tentar aferir se entretanto houve uma evolução. "Pode ser que deixem a semente na escola", admite a professora que os tem acompanhado.
Dos três, só para João Louro a política era à partida um mundo familiar. Tem o bloco central na família: do lado da mãe, são todos PSD, do lado do pai é o PS que ganha. E foi esta a parte que o conquistou. É militante socialista, mas aprendeu algo nestes últimos meses. Dos partidos com assento parlamentar, o PS foi o único que nem sequer respondeu aos convites que lhe foram feitos. "Foi uma desilusão, tinha pensado que seria dos primeiros a responder", confessa João.
Outra desilusão, desta vez partilhada pelos três: o silêncio de Manuel Alegre. O candidato presidencial, que se tinham habituado a admirar, também não respondeu a nenhum dos convites que lhe enviaram.
Gonçalo Poejo foi o único que ainda não votou. Nas últimas eleições, em 2009, ainda não tinha feito 18 anos. Agora lança um desafio: "O voto "está fora de moda", mas estamos em muito boa altura de mudar e não deixar que os outros escolham por nós o futuro do nosso país". Não terá sido, por acaso, aliás, que contra a maré optaram por designar assim o seu projecto: "Política somos nós".
Notícia online em: www.publico.pt/Educação/politicos-foram-a-escola-e-nao-foi-uma-seca_1439402
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Balanço Final do Projecto
Começamos por escolher um tema que em primeiro lugar fosse obviamente do nosso interesse e que de certa forma pudesse causar impacto e marcar a diferença em relação aos restantes temas. Optámos então pelo tema da politica, mais concretamente o interesse, ou a falta dele, da politica nos jovens de hoje em dia. Em primeiro lugar para que tivéssemos uma real noção do interesse dos alunos da Escola Secundaria de Linda-a-Velha na politica criamos uns inquéritos onde de certa forma testávamos o nível de "saber" dos alunos na politica e qual o seu interesse na mesma. Os resultados acabaram por não ser muito animadores sendo que grande parte dos alunos demonstrou alguma ignorância e desinteresse no nosso tema, algo que já estávamos à espera. Após a realização dos inquéritos avançamos para uma fase que se por um lado nos deu e continua a dar muito trabalho, por outro dá-nos uma motivação muito grande para que continuar. Nesta fase procedemos ao envio de cartas e de e-mail para uma série de políticos para que possam vir à escola para uma conferência onde irão discursar no sentido de encorajar e motivar os jovens para que comecem a dar mais atenção ao mundo da política. Tal como é do conhecimento da professora e do concelho executivo já obtivemos muitas respostas positivas de personalidades que prometem aquecer a ESLAV. Para já apenas uma dessas personalidades confirmou hora e data de vinda à escola sendo que entraremos em contacto com os restantes para obtermos também um dia e hora de que possam conferenciar com os nossos alunos. Note-se que para obtermos informações para estabelecer mos contacto com as personalidades do conhecimento da professora tivemos que abdicar de diversas horas de diversos dias livres nossos para nos deslocarmos quer à Assembleia da República, onde pretendemos fazer uma visita de estudo com os nossos colegas de turma, quer a diversas sedes de partidos políticos, já que nem sempre foi fácil (e em alguns casos continua a não o ser) estabelecer contacto com os políticos devido as suas preenchidas agendas. Para a promoção do nosso trabalho criamos um blogue onde iremos redigir textos que promovam o nosso tema e que também atraia alunos ao mundo da política. Para uma promoção mais directa e fácil iremos também, com a devida autorização da escola, espalhar cartazes pela mesma com o mesmo intuito do blogue.
Desta forma, com este projecto ambicioso e cheio de querer, tentaremos concretizar o objectivo proposto desde o inicio que é atrair juventude para a política e que aprendam a gostar da mesma pois é algo sem duvida nenhuma essencial à democracia e ao modo de vida da população do pais e do mundo.
Desta forma, o grupo, contra as provisões e probabilidades, trouxe à nossa escola figuras da vida política nacional como Dr. Santana Lopes, Dr. Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Dr. Paulo Portas, personalidades estas que consideramos ser, cada um, quem melhor representa o seu respectivo partido, respectivamente, ainda que seja um projecto não-partidário, pensamos que é absolutamente imprescindível, para assegurar a boa realização do mesmo, assim como o interesse dos alunos, a presença de cada partido dos principais.
É da nossa opinião que o projecto está a superar qualquer expectativa previamente planeada, visto que a presença destas celebridades era, até, desacreditada por grande parte da comunidade escolar. No entanto, o grupo sempre acreditou poder prosseguir o trabalho. Assim foi, e hoje a memória das suas presenças é uma realidade.
Estas conferências realizaram-se sem grandes problemas, facto que estamos muito contentes, pois não deixa de ser um indicador da boa organização das mesmas. A organização de fácil nada teve, as semanas em que uma personalidade se dirigia à escola revelaram-se muito exaustivas e trabalhadoras, apesar de tudo, deu-nos um enorme gozo em realizá-las. Desde o momento em que foi feito o primeiro contacto com os políticos até à sua chegada à nossa escola o grupo determinou a data e a hora das suas presenças, escreveu, imprimiu e colou cartazes, escreveu as apresentações de cada político, convidou turmas para as palestras sendo que nem sempre foi possível a presença de algumas turmas, organizou o anfiteatro com a colocação de algumas mesas e cadeiras e até mesmo com a reserva de lugares para a turma, comprou os lanches, que se tornou algo muito dispendioso e um obstáculo visto que maior parte dos dias estávamos num autêntica corrida contra o tempo, e ainda nos tivemos que confrontar com a solução de problemas impostos muitas vezes por simples má vontade de algumas pessoas.
Resumindo, o trabalho realizado no segundo período é um reflexo da organização do projecto e do esforço do grupo no primeiro período. Note-se ainda o facto das críticas destrutivas que recebemos, nomeadamente da presença e do comportamento do grupo no decorrer das palestras, às quais não temos qualquer intenção de atribuir qualquer importância. Contudo, dos alunos que, recorde-se apenas para eles fazemos tenção de agradar, temos recebido apenas elogios ou críticas construtivas quer ao trabalho realizado como ao tema que escolhemos, o que nos deixa muito contentes e com vontade de continuar o projecto, aparecendo agora novas ideias para alargar o projecto tanto a nível prático como burocrático.
É ainda importante salientar a intensidade que o projecto teve para conseguir assegurar a boa realização do projecto, visto que em menos de quatro semanas contamos com quatro conferências que poderiam perfeitamente encaixar-se em quatro meses. O calendário não era, pressupostamente, definido pelo grupo mas pela disponibilidade dos convidados. Estamos muito satisfeitos pela forma como conseguimos lidar com a pressão dos acontecimentos. Temos projectos para o futuro, que, com certeza se realizarão, inclusive poderá existir uma ou outra boa surpresa.
O 3º e último período, teve como objectivos o “limar” das últimas arestas do nosso projecto. Para tal, iremos ainda proceder à resolução de inquéritos, dos quais esperamos os resultados para comparar aos resultados dos inquéritos realizados no 1º período, comparação essa que irá ser concretizada no blogue, depois de realizada pelo grupo.
Passamos ainda pela escrita de alguns artigos de opinião dos membros do grupo, nos quais abordamos alguns temas que nos propusemos a tratar no início do projecto, mais concretamente a diversidade do voto, importância do voto, e as más actuações dos governos como possível motivo de desinteresse.
Dirigimos alguns convites a várias personalidades do mundo da política como forma de compensar a não presença do Dr. Mário Soares, facto esse que não esperámos, no entanto, o grupo não desanimou. Conseguimos, no entanto, fazer três perguntas ao Dr. Jaime Gama e Dra. Joana Amaral Dias, já obtivemos resposta ao nosso pedido, no entanto, e apesar da confirmação, temos que aguardar as respostas das personalidades.
Divulgamos no blogue o dia dedicada aos jovens para participarem num debate a decorrer na Assembleia da República. Ideia esta que poderá ser levada a cabo se, de facto, algum grupo no próximo ano der continuidade ao nosso projecto, ideia esta que foi discutida com a professora Anabela Baptista.
Como forma de melhorar e enriquecer o projecto, explicámo-lo, devidamente, passo-a-passo, ao jornal “Público”. Obtivemos uma resposta muito positiva por parte da jornalista Clara Viana, que veio até à nossa escola para realizar uma reportagem, incluindo uma sessão de fotos. Esperamos a impressão da reportagem a qualquer dia, que irá ter como espaço uma página inteira do prestigiante jornal.
Aproveitamos ainda para disponibilizar, com o seu devido consentimento, um pouco do seu tempo para as (muitas) pessoas interessadas em seguir comunicação social para responder a algumas perguntas, destacamos, ainda, a presença do grupo em todos os outros projectos da turma, destacando a cooperação que achamos essencial entre todos os grupos.
Gonçalo Poejo
João Louro
Miguel Nunes
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Artigo de Opinião III - As actuações dos sucessivos governos em Portugal
Na minha visão de jovem, e de interessado pela política tanto a nível nacional, como a nível internacional, apercebo-me que tanto no meu país, como nas nações mais desenvolvidas do mundo (por exemplo: Alemanha, E.UA, ou França), o desinteresse dos jovens é sempre um dado adquirido, digo isto obviamente sem conhecer a fundo a realidade dos outros países, mas com a convicção de que isso se traduz por uma percentagem de abstenção em eleições que, ano após ano, vai aumentando drasticamente, com os jovens muitas vezes no topo da lista de "culpados" desta situação.
As razões desta atitude por parte das pessoas da minha geração prendem-se, muitas vezes, pela falta de informação e pelo desconhecimento sobre o que a política pode fazer por nós, ou aquilo que podemos nós fazer por ela, o que me leva a crer que não serão as actuações dos sucessivos governos da república que causaram ou continuam a causar este desinteresse. Ora, foi a partir deste ponto que o nosso grupo resolveu investir e fazer perceber a muitos dos nossos colegas o que é afinal a política.
Qualquer jovem português nasceu sob uma crise económica/financeira, viveu com ela, assiste hoje a uma crise ainda maior e, ao que tudo indica, continuará a viver por muitos mais anos. Mas tudo isto não impede uma minoria de jovens da nossa sociedade de filiar-se em partidos, promover debates e adoptar ideais políticos, o mesmo é dizer interessar-se pela política.
O estado, desde o 25 de Abril, tem tomado diversas iniciativas de apoio aos jovens, tanto na educação (onde hoje em dia podemos assistir a uma investida tecnológica sem precedentes na nossa história) como na procura do primeiro emprego. Já os partidos aceitam qualquer militante, e cada vez mais são eleitos deputados mais jovens para o parlamento da Assembleia da República (um bom exemplo desta linha de orientação política é o CDS-PP). Não são, portanto, em minha opinião, as actuações políticas do estado português, uma razão para a falta de interesse dos jovens portugueses.
A meu ver, os responsáveis pela falta de informação dirigida aos mais novos, são os pais e a imprensa em Portugal, que originam também um problema ideológico em relação ao mais novos. Cada jovem, em Portugal, pode optar por mais de dez partidos políticos com orientações políticas que vão desde a extrema esquerda, até à direita mais radical. Mas o problema existente é o seguinte: Quantos jovens em Portugal sabem o que a extrema esquerda defende? ou quantos jovens sabem distinguir os partidos mais conservadores dos mais liberais? Definitivamente uma minoria.
Perante toda esta situação, seria expectável, eu sugerir uma solução para este problema, e assim o farei. Pois bem, a solução que apresento, passa pela escola, onde somente os alunos que frequentam o curso de humanidades conseguem atraves da disciplina de História ter uma pequena noção do que é a política, e de como tudo funciona. Uma excelente forma de arranjar mais interessados sobre a política, seria constituir uma disciplina que pudesse existir em todos os cursos do ensino secundário e que ensina-se não só o funcionamento da política, bem como explica-se os temas mais polémicos e incompreendidos da actualidade não só portuguesa, mas também internacional.